Porque Homens Acostumados à Musculação Sofrem no Pilates

Homens praticando pilates em uma aula, demonstrando esforço e concentração

Nos últimos anos, o pilates ganhou destaque nas redes sociais, especialmente quando homens acostumados à musculação são filmados enfrentando aulas dessa modalidade. O contraste é notável: enquanto muitos deles lutam para completar os movimentos, mulheres, muitas vezes mais velhas, executam os mesmos exercícios com facilidade. Essa situação, frequentemente tratada com humor, revela um preconceito comum acerca do pilates, visto como uma prática leve, destinada principalmente a mulheres e pessoas idosas.

Desmistificando o Pilates

Leonardo Lins Camelo da Silva, um advogado de 40 anos e praticante de musculação, é um exemplo de quem passou por essa transformação de percepção. Influenciado pela esposa, que já frequentava aulas de pilates, ele decidiu experimentar a modalidade, acreditando que se tratava apenas de exercícios de alongamento. No entanto, sua experiência foi surpreendente.

Durante a aula experimental, Leonardo se deparou com uma nova lógica de esforço. “Achei o pilates mais difícil do que a musculação em certos aspectos, porque você tem que ter toda essa postura, concentração, respiração. Enfim, é um conjunto”, afirma. Essa mudança de perspectiva é comum entre novos praticantes, especialmente aqueles acostumados a treinos de força tradicionais.

O que torna o Pilates diferente da Musculação?

A professora de educação física e fisiologista do exercício, Patrícia Bueno de Godoy, explica que o pilates trabalha não apenas a força, mas também a mobilidade e a flexibilidade. “Envolve uma reeducação postural dinâmica, onde o alinhamento corporal é observado e trabalhado do pé à cabeça”, destaca. Isso significa que, ao contrário da musculação, onde os exercícios são geralmente realizados em posições estáveis, o pilates exige que o praticante sustente seu próprio corpo enquanto trabalha o equilíbrio e a estabilização do tronco.

Experiências de Outros Praticantes

Alexandre Cheruti, um gerente de Tecnologia de Redes e Infraestrutura de 55 anos, compartilha uma experiência semelhante. Lidando com uma hérnia de disco que limitava seus movimentos, ele começou a praticar pilates como parte de uma estratégia para melhorar sua condição física. Inicialmente, Cheruti esperava que a atividade fosse leve, mas logo ficou impressionado com a intensidade dos exercícios. “Fiquei impressionado com a quantidade de trabalho, desde flexibilidade, equilíbrio, alongamento e força”, conta.

Ele também se surpreendeu ao ver colegas mais velhos, de 60 a 70 anos, executando posturas desafiadoras com facilidade, o que demonstra que a experiência e o treinamento acumulados ao longo do tempo são fundamentais.

Por que Homens Podem Enfrentar Dificuldades no Pilates?

Segundo Carlos Eduardo Viterbo, médico ortopedista e divulgador científico, as adaptações provocadas pelo exercício são específicas. “Uma pessoa pode ter força e massa muscular desenvolvidas e, ainda assim, encontrar dificuldade quando passa a ser exigida em capacidades às quais teve pouca exposição”, explica. Essa diferença é um fator importante para entender por que homens que se dedicam à musculação podem ter dificuldades no pilates.

Além disso, a fisioterapeuta Beatriz Serachiani Cabral ressalta que não basta apenas considerar quanto peso uma pessoa consegue levantar, mas como ela organiza e controla o movimento. Isso significa que, mesmo que um homem musculoso tenha força, pode precisar desenvolver novas habilidades para se adaptar aos exercícios de pilates.

Integração do Pilates com a Musculação

As dificuldades iniciais não significam que a musculação deva ser abandonada. Ambas as práticas podem coexistir e complementar uma à outra, proporcionando diferentes estímulos ao corpo. Beatriz explica que o pilates pode ser benéfico não apenas para quem faz musculação, mas também para corredores e praticantes de outros esportes, ajudando a desenvolver estabilidade, coordenação e consciência corporal.

O ideal é encontrar um equilíbrio entre as duas modalidades, considerando a quantidade e o volume dos exercícios e garantindo períodos adequados de recuperação. Embora o pilates possa ser uma ferramenta de prevenção de lesões, não é uma garantia absoluta, pois as lesões dependem de vários fatores, como carga, técnica de treinamento e histórico de lesões.

Frequência e Benefícios do Pilates

A frequência ideal para a prática de pilates não é fixa e depende de objetivos individuais, condicionamento físico, presença de lesões e disponibilidade. Para quem já realiza musculação, duas sessões semanais de pilates podem ser um bom ponto de partida para começar a sentir os benefícios. A regularidade contribui para o aprendizado contínuo dos movimentos e desenvolvimento da técnica.

O mais importante é que cada pessoa encontre atividades que possam ser mantidas a longo prazo, uma vez que o engajamento em uma rotina de exercícios é crucial para colher os benefícios ao longo do tempo.

Portanto, tanto o pilates quanto a musculação têm seus próprios méritos e podem ser aliados na busca por uma vida mais saudável e equilibrada.


Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.

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