
Gordura pericárdica: o risco silencioso para a saúde do coração
A gordura pericárdica, que se acumula ao redor do coração, tem se tornado um foco crescente de atenção entre cardiologistas no Brasil e no exterior. Esse tecido adiposo, localizado junto ao pericárdio — uma membrana que envolve o coração —, não é visível externamente e, por isso, muitas vezes passa despercebido. No entanto, pesquisas recentes sugerem que o excesso dessa gordura pode estar diretamente associado a um maior risco de doenças cardiovasculares, mesmo em indivíduos que não apresentam obesidade aparente.
O que é gordura pericárdica e por que é uma preocupação?
A gordura pericárdica é um tipo de gordura visceral que se localiza ao redor do coração e do pericárdio. Embora faça parte da anatomia normal do corpo e desempenhe um papel na proteção mecânica do órgão, seu acúmulo excessivo é preocupante. Geralmente, esse aumento está ligado a fatores como sobrepeso, sedentarismo, resistência à insulina e dietas ricas em alimentos ultraprocessados.
Estudos publicados em revistas científicas de cardiologia entre 2023 e 2024 revelam que o aumento da gordura pericárdica está relacionado a uma maior rigidez das artérias coronárias, alterações no fluxo sanguíneo e aumento da inflamação ao redor do coração. Cardiologistas têm enfatizado que essa gordura não é apenas um “estoque de energia”, mas sim um tecido ativo que produz hormônios e mediadores inflamatórios, influenciando diretamente a saúde cardíaca.
Como a gordura pericárdica aumenta o risco de doenças cardíacas?
A relação entre a gordura pericárdica e doenças cardíacas é alarmante. Estudos clínicos demonstram que pessoas com maior volume de gordura pericárdica têm uma probabilidade significativamente maior de desenvolver doenças arteriais coronarianas, que são caracterizadas pelo entupimento das artérias que irrigam o coração. A proximidade dessa gordura com os vasos sanguíneos facilita a liberação de substâncias inflamatórias que afetam diretamente as paredes das coronárias, acelerando o processo de aterosclerose.
Além de impactar as artérias, o acúmulo de gordura ao redor do coração pode dificultar a contração e o relaxamento do músculo cardíaco. Pesquisas recentes associam esse acúmulo a alterações na função diastólica, a fase em que o coração se enche de sangue, resultando em um aumento da rigidez do órgão. Isso significa que o coração pode ter que trabalhar mais, o que, a longo prazo, contribui para casos de insuficiência cardíaca.
A gordura pericárdica e suas implicações em arritmias e síndrome metabólica
Outro aspecto preocupante é a associação entre gordura pericárdica e arritmias, especialmente a fibrilação atrial, que é um tipo de batimento cardíaco irregular que aumenta o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Pesquisas realizadas em centros de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos sugerem que o acúmulo de tecido adiposo ao redor das câmaras superiores do coração pode interferir nos sinais elétricos cardíacos, favorecendo alterações no ritmo.
A relação com a síndrome metabólica é igualmente significativa. Essa condição, que inclui pressão alta, elevação da glicose, colesterol alterado e acúmulo de gordura abdominal, frequentemente acompanha o aumento da gordura pericárdica. Estudos indicam que indivíduos com síndrome metabólica apresentam um volume consideravelmente maior de gordura ao redor do coração em comparação com aqueles sem essa condição, mesmo que tenham índices de massa corporal semelhantes.
Como reduzir a gordura ao redor do coração?
Apesar dos riscos associados à gordura pericárdica, médicos afirmam que ela pode ser reduzida através de mudanças consistentes no estilo de vida. Não existe um medicamento específico para eliminar a gordura do coração, mas medidas que diminuem a gordura abdominal também impactam essa região. As orientações comumente citadas incluem:
- Alimentação balanceada: Priorizar alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.
- Redução de ultraprocessados: Limitar a ingestão de alimentos ricos em açúcar, gorduras trans, sódio e aditivos químicos.
- Atividade física regular: Realizar exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida leve, bicicleta e dança, por pelo menos 150 minutos por semana.
- Treinos de força: Incluir exercícios de resistência duas ou mais vezes por semana para aumentar a massa muscular e melhorar o metabolismo.
- Abandonar o tabagismo: Moderar o consumo de álcool, já que ambos estão ligados ao aumento do risco cardiovascular.
- Acompanhamento médico: Manter consultas regulares para monitorar pressão arterial, colesterol e glicemia.
Pesquisas indicam que pequenas reduções de peso, na faixa de 5% a 10% do peso corporal inicial, podem ser suficientes para diminuir a gordura visceral, incluindo a que envolve o coração. Além disso, mudanças consistentes ao longo do tempo tendem a ter um impacto mais significativo do que dietas restritivas de curto prazo.
Cuidando da saúde do coração no dia a dia
A discussão sobre gordura pericárdica tem ampliado a compreensão de que a saúde cardiovascular vai além da aparência física e do peso. O foco agora está em melhorar a qualidade da alimentação, estabelecer um padrão regular de atividade física e controlar fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
Isso significa que pessoas com diferentes biotipos podem se beneficiar de mudanças simples, mas consistentes em sua rotina. A identificação precoce de alterações através de exames clínicos e de imagem facilita intervenções mais efetivas. Com o suporte de profissionais de saúde, ajustes na dieta, na atividade física e no sono contribuem não apenas para a redução da gordura pericárdica, mas também para uma melhora geral na qualidade de vida.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.


