
Quais são as principais recomendações para o tratamento da obesidade no SUS?
A obesidade é classificada como uma doença crônica não transmissível (DCNT) e possui uma origem multifatorial, sendo um dos principais problemas de saúde pública global. Segundo a Organização Mundial de Saúde, os índices de obesidade e sobrepeso aumentaram quase três vezes desde 1975. Atualmente, existem cerca de 650 milhões de adultos com obesidade no mundo. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2020 revelam que um em cada quatro adultos possui obesidade, totalizando aproximadamente 41,2 milhões de pessoas, enquanto mais de 96 milhões enfrentam o excesso de peso.
As causas da obesidade são complexas e englobam fatores biológicos, sociais, econômicos, culturais e ambientais. Uma grande parte do aumento nos índices de obesidade pode ser atribuída a mudanças significativas nos padrões alimentares, que incluem a diminuição do consumo de alimentos in natura e um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados. Além disso, hábitos de vida sedentários, exacerbados pelo uso excessivo de tecnologia e a falta de atividade física, têm contribuído para esse cenário alarmante.
O sobrepeso e a obesidade estão associados a uma série de doenças, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão e certos tipos de câncer. Além dos problemas de saúde física, as pessoas com obesidade frequentemente enfrentam estigmas sociais, discriminação e problemas emocionais, o que pode dificultar o acesso a cuidados de saúde e agravar ainda mais a situação.
O papel do SUS no tratamento da obesidade
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal rede de atendimento para a gestão da obesidade. A porta de entrada para os serviços de saúde é a Atenção Primária à Saúde (APS), onde as pessoas com obesidade são identificadas e acolhidas por equipes multiprofissionais nas Unidades Básicas de Saúde. Essas equipes realizam o acompanhamento necessário e, quando necessário, encaminham os pacientes para a Atenção Especializada.
As ações na APS incluem:
- Promoção da saúde através de atividades físicas regulares.
- Incentivo ao aleitamento materno e à alimentação saudável.
- Implementação de práticas integrativas e complementares de saúde, como yoga e acupuntura.
- Identificação de pessoas com obesidade por agentes comunitários e profissionais de saúde.
O Manual de Atenção às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade no SUS estabelece uma série de recomendações para qualificar a atuação de gestores e profissionais de saúde na APS. Algumas orientações importantes incluem:
1. Tirar o foco da perda de peso
Embora a perda de peso seja um resultado importante, o foco deve estar na promoção da saúde e bem-estar do paciente. É essencial entender que a saúde não é definida apenas pelo peso corporal e que todos têm a capacidade de alcançar um estado de bem-estar, independentemente do seu peso. Além disso, uma redução de apenas 5 a 10% do peso corporal pode trazer melhorias significativas na saúde, como redução da pressão arterial e do risco cardiovascular.
2. Adotar uma alimentação adequada e saudável
Uma alimentação saudável deve ser baseada em alimentos in natura e minimamente processados, conforme recomendado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. É fundamental evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, que estão diretamente relacionados ao ganho de peso.
3. Praticar atividade física regularmente
Iniciar uma rotina de atividades físicas, mesmo que em intensidade moderada, deve ser incentivado. O importante é que a atividade escolhida seja prazerosa, pois isso aumenta a adesão e a regularidade na prática.
4. Acolher e cuidar do lado emocional
O estigma relacionado à obesidade pode levar a abusos físicos e verbais, resultando em discriminação e exclusão social. Essa situação pode desmotivar as pessoas a buscar ajuda e tratamento, prejudicando seu acesso à saúde. Portanto, é necessário um acolhimento que leve em conta o lado emocional do paciente.
Além disso, o Ministério da Saúde oferece diretrizes através do documento Protocolos de Uso do Guia Alimentar para a População Brasileira, que inclui recomendações como:
- Estimular o consumo diário de feijões, especialmente nas refeições principais.
- Evitar bebidas adoçadas e ultraprocessadas.
- Consumir legumes, verduras e frutas diariamente.
- Realizar refeições com regularidade e atenção, preferencialmente em companhia de outros.
Guias para a prevenção da obesidade e promoção da saúde
Para uma abordagem eficaz no combate à obesidade, é fundamental aliar uma alimentação saudável à prática regular de atividades físicas. O Ministério da Saúde disponibiliza três publicações que podem ajudar na adoção de hábitos mais saudáveis:
- O Guia Alimentar Para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, com orientações nutricionais para a primeira infância.
- O Guia Alimentar para a População Brasileira, que visa promover uma alimentação saudável para toda a família.
- O Guia de Atividade Física Para a População Brasileira, que oferece diretrizes para a prática de atividades físicas em diferentes faixas etárias e destaca a importância da educação física nas escolas.
Com essas estratégias, é possível promover uma saúde melhor e combater o avanço da obesidade em todas as idades.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.


